Experiências biotecnológicas surpreendentes

Biotecnologia é o uso de organismos vivos ou partes deles para criar ou modificar produtos, processos ou serviços. É uma área multidisciplinar que envolve biologia, química, engenharia, medicina, agronomia, e claro, tecnologia. Os avanços nessa área são realmente surpreendentes. A gente não dá muita atenção para as plantas e vegetais que nos cercam – os quais estão em todos lugares e sem eles teríamos que inventar algo para produzir o indispensável oxigênio que precisamos para viver. Agora, imagine uma planta servir de lâmpada para sua casa?

Uma das alterações genéticas vegetais mais surpreendentes realizadas foi a criação de uma planta que brilha no escuro. Essa planta foi obtida a partir da inserção de um gene de uma bactéria bioluminescente em um tabaco transgênico. O resultado foi uma planta capaz de emitir luz verde na ausência de luz solar, o que pode ter aplicações na decoração, na iluminação e na biotecnologia. (Bioluminescência é a capacidade de alguns seres vivos de produzirem e emitirem luz por meio de uma reação química).

Recentemente, cientistas da Universidade da Califórnia, em Riverside, nos EUA, criaram uma planta que muda de cor ao ser exposta a alguns tipos específicos de poluentes. A ideia é que essas plantas mutantes sejam utilizadas para alertar agrônomos quando plantações estiverem correndo risco de contaminação. Elas seriam distribuídas em meio ao cultivo, sem comprometê-los, e uma fotografia aérea poderia identificar as parcelas de áreas do cultivo de coloração diferente, indicando o risco. Isso reduziria custo e tempo, pois não haveria a necessidade de realização de verificações em solo.

Outra aplicação (um tanto quanto inusitada), é sobre a possibilidade de inserir dados em moléculas de plantas. Parece ficção científica, mas alguns pesquisadores estão trabalhando nessa ideia. Eles querem aproveitar a capacidade das plantas de armazenar informações genéticas em seu DNA para codificar e guardar dados digitais, como textos, imagens e vídeos (até produzi um artigo que fala sobre isso – “Cemitérios do Futuro”). Essa tecnologia poderia ter várias vantagens, como ser mais sustentável, durável e segura do que os meios convencionais. Mas também há muitos desafios e limitações, como a velocidade, a complexidade e os custos envolvidos. Por enquanto, segundo os cientistas, essa possibilidade ainda está meio que longe de se tornar realidade, mas quem sabe um dia não teremos um jardim de dados em casa?

Contudo, enquanto essa ficção não vira realidade, a biotecnologia vegetal vem contribuindo muito para o agronegócio, por exemplo, promovendo o aumento da produtividade e da resistência a pragas, doenças e condições climáticas adversas, e consequentemente para a segurança alimentar e a para a redução da fome no mundo. Também contribui para a melhora da qualidade nutricional e do sabor dos alimentos, com a redução do uso de agrotóxicos e de fertilizantes, resultando na diminuição dos impactos ambientais e nos custos de produção.

Muitos podem não simpatizar com esse tipo de intervenção genérica, mas como sempre salientamos aqui, as tecnologias decorrentes da evolução são inevitáveis. A questão é realmente usá-las de forma inteligente.

Por: Cassio Betine

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